Coração do Homem
Há coisas dentro de nós que nem nós mesmos conhecemos.
Guardamos pensamentos que nunca contamos,
medos que fingimos não ter
e desejos que, às vezes,
nem sabemos de onde vieram.
O coração é estranho.
Pode nos conduzir para lugares onde nunca estivemos
e, no instante seguinte,
nos convencer a voltar.
Ele lembra aquilo que gostaríamos de esquecer
e esquece justamente aquilo que mais precisamos lembrar.
Há dias em que parece saber exatamente o que queremos.
Em outros,
transforma uma certeza em dúvida
e uma dúvida em certeza.
Talvez seja por isso que seja tão difícil compreendê-lo.
Passamos anos tentando descobrir quem somos,
mas basta uma pessoa,
uma lembrança
ou uma palavra
para percebermos que ainda existe muito dentro de nós
que permanece sem nome.
O coração também sabe mentir.
Às vezes chama de amor aquilo que é apenas carência.
Chama de esperança aquilo que é medo de aceitar o fim.
Chama de destino aquilo que simplesmente desejamos que aconteça.
E mesmo assim, continuamos ouvindo.
Porque existe alguma coisa nele que a razão não consegue substituir.
A razão calcula.
O coração insiste.
A razão pergunta se vale a pena.
O coração responde que talvez valha.
E talvez nenhum dos dois esteja completamente certo.
Talvez viver seja aprender a caminhar entre eles.
Sem confiar cegamente no que sentimos.
Sem ignorar aquilo que sentimos.
Porque o coração pode nos levar à luz
ou nos fazer caminhar em direção a um abismo.
Pode nos prender ao passado
ou nos dar coragem para começar novamente.
Pode nos ferir.
Pode nos salvar.
E talvez a maior dificuldade não seja descobrir o que o coração quer.
Talvez seja aprender a distinguir
aquilo que realmente sentimos
daquilo que apenas
queremos desesperadamente sentir.
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