Oculto

Caminho sem pressa.

O vento passa por mim
e a neblina cobre aquilo que, de longe,
parecia tão fácil de enxergar.

Há noites em que tenho a impressão
de que existe um rosto escondido em algum lugar.

Não sei quem é.

Não sei onde está.

Talvez nem saiba que estou procurando.

Ainda assim, alguma coisa dentro de mim continua caminhando.

As folhas caem ao meu redor
sem perguntar para onde vão.

Talvez eu seja parecido com elas.

Também sigo.

Sem saber exatamente onde o caminho termina.

Às vezes penso que aquilo que procuro está perto.

Talvez em uma rua que ainda não atravessei.

Em algum lugar onde nunca entrei.

Em uma pessoa que ainda não conheci.

Outras vezes penso que estou procurando apenas uma sensação.

A certeza de que existe alguém esperando por mim em algum lugar do mundo.

Mas como encontrar aquilo que não sabemos nomear?

As palavras também não ajudam.

Elas chegam até a boca
e voltam para dentro.

Existem coisas que sentimos
antes mesmo de saber explicá-las.

E talvez seja esse o meu maior mistério.

Eu sinto que estou esperando alguma coisa.

Só não sei o quê.

O coração insiste em procurar sinais.

Um olhar.

Uma coincidência.

Uma presença que faça alguma coisa dentro de mim dizer:

é aqui.

Mas os sinais são confusos.

Às vezes parecem dizer "espere".

Às vezes parecem dizer "continue".

E às vezes não dizem absolutamente nada.

Então eu sigo.

Entre o vento e a neblina.

Entre aquilo que consigo ver
e aquilo que apenas imagino.

Talvez exista uma chave escondida em algum lugar que ainda não encontrei.

Talvez o amor esteja justamente onde não estou olhando.

Ou talvez eu esteja tentando encontrar no mundo
algo que primeiro precise encontrar dentro de mim.

Não sei.

Por enquanto, continuo caminhando.

Sem pressa.

Sem respostas.

Com os olhos procurando alguma coisa
que meu coração parece reconhecer
antes mesmo de eu saber o que é.

Comentários

Postagens mais visitadas