Amor de Deus

Há um amor que não consigo medir.

Posso tentar compará-lo ao oceano,
ao céu, à distância entre as estrelas,
mas todas essas coisas ainda parecem pequenas.

Porque existe um amor que não depende daquilo que fazemos
para merecê-lo.

Um amor que nos procura quando estamos longe,
que permanece quando nos afastamos
e que não desaparece quando tudo ao nosso redor parece desmoronar.

É o amor de Deus.

Paulo tentou falar sobre ele.

Em suas palavras, encontro a lembrança de que existe algo maior do que nossas circunstâncias.

Nem a distância.

Nem a morte.

Nem aquilo que ainda não compreendemos.

Nada disso consegue nos separar completamente daquele amor.

E talvez seja isso que mais me impressiona.

Deus não ama apenas quando estamos fortes.

Ele permanece quando estamos cansados.

Quando a fé parece pequena.

Quando as palavras para orar não aparecem.

Quando a noite fica longa demais
e tudo o que conseguimos fazer é permanecer em silêncio.

É nesses momentos que percebo que talvez eu nunca tenha estado tão sozinho quanto imaginei.

Há um abrigo que não consigo tocar.

Uma presença que não precisa ocupar espaço para estar comigo.

E talvez seja por isso que continuo caminhando.

Porque posso perder muitas coisas pelo caminho.

Posso me decepcionar com pessoas.

Posso não entender os acontecimentos.

Posso até duvidar de mim mesmo.

Mas ainda existe uma certeza à qual consigo voltar:

o amor de Deus não depende da minha força para continuar existindo.

Ele simplesmente permanece.

Como uma luz acesa durante a noite.

Como um lugar para onde posso voltar.

Como um abraço que não precisa de braços.

E quando não encontro palavras suficientes para explicar minha fé,
talvez eu não precise de nenhuma.

Talvez baste fechar os olhos
e lembrar:

eu ainda sou amado.

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