Wall-e
A Terra já não parecia um lugar feito para pessoas.
Havia prédios abandonados,
montanhas de lixo
e uma cidade inteira coberta pelo que a humanidade deixou para trás.
E, no meio de tudo aquilo,
havia um pequeno robô.
WALL-E.
Todos os dias ele fazia a mesma coisa.
Compactava o lixo.
Empilhava.
Guardava algumas coisas que encontrava pelo caminho.
Pequenos objetos sem valor para ninguém.
Um cubo mágico.
Uma lâmpada.
Uma colher.
Qualquer coisa que despertasse sua curiosidade.
Talvez porque, mesmo vivendo entre os restos de um mundo morto,
ele ainda procurasse aquilo que fazia aquele mundo parecer vivo.
Beleza.
WALL-E não sabia explicar o que era solidão.
Mas conhecia aquela sensação.
Passava os dias sozinho,
seguindo uma rotina que ninguém havia pedido que ele continuasse cumprindo.
Até que um dia,
algo diferente apareceu no céu.
EVA.
Ela chegou como uma coisa que não pertencia àquele lugar.
Branca, brilhante, silenciosa.
E, pela primeira vez em muito tempo,
WALL-E tinha alguém para acompanhar.
Ele não sabia dizer o que estava sentindo.
Talvez nem precisasse.
Às vezes, ele apenas olhava para ela.
E bastava.
Era curioso.
Um robô que havia passado tanto tempo cercado por coisas quebradas
havia encontrado algo que não queria consertar.
Queria apenas proteger.
E então veio a viagem.
A nave.
As estrelas.
O espaço imenso.
E, em algum lugar entre a Terra abandonada e aquilo que poderia ser um novo começo,
dois pequenos robôs começaram a descobrir uma coisa que os humanos quase haviam esquecido:
que cuidar de alguém também é uma forma de amar.
WALL-E não tinha mãos humanas.
Não tinha voz.
Não tinha um coração de verdade.
Mas quando segurava a mão de EVA,
parecia carregar dentro daquele pequeno corpo de metal
tudo aquilo que ainda havia de humano no mundo.
Talvez a esperança nunca tivesse desaparecido da Terra.
Talvez ela apenas estivesse esperando
que alguém a encontrasse no meio do lixo.
E talvez seja por isso que WALL-E seja tão bonito.
Porque, em um mundo que havia esquecido como olhar para as pequenas coisas,
um pequeno robô ainda conseguia enxergar beleza.
Uma planta.
Uma música.
Uma dança.
Uma mão estendida.
E, no fim,
quando a Terra finalmente teve outra chance,
não foi apenas um planeta que começou a renascer.
Foi a esperança.
Porque às vezes basta uma pequena criatura continuar acreditando
quando todo o resto parece perdido.
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