Ato de amor

Amar é uma aposta.

Não porque sabemos que vai dar certo,
mas porque, em algum momento,
precisamos decidir se vale a pena colocar o coração em jogo.

Talvez seja por isso que tantos tenham medo.

É mais fácil permanecer onde estamos
do que estender a mão
sem saber se alguém vai segurá-la.

É mais fácil guardar uma palavra bonita
do que dizê-la.

Mais fácil esperar pelo momento perfeito
do que simplesmente abraçar alguém
quando percebemos que ela está precisando.

Mas talvez o amor nunca tenha exigido grandes coisas.

Às vezes ele começa pequeno.

Um lugar ao lado na mesa.

Um café deixado para alguém que chegou cansado.

Uma mensagem enviada sem motivo.

Um "eu estou aqui"
quando não existe nada capaz de consertar o que aconteceu.

Um abraço que permanece alguns segundos a mais
porque ambos sabem que soltá-lo agora seria cedo demais.

São gestos pequenos.

Quase invisíveis.

E, ainda assim, podem mudar o dia de alguém.

Talvez amar seja justamente isso:

olhar para o outro
e decidir que sua presença importa.

Mesmo quando ninguém está vendo.

Mesmo quando não haverá aplausos.

Mesmo quando não receberemos nada em troca.

Porque o amor que precisa ser testemunhado
talvez ainda esteja preocupado demais consigo mesmo.

O verdadeiro ato de amor acontece quando fazemos algo
simplesmente porque não conseguimos permanecer indiferentes.

E talvez seja essa a aposta.

Entregar algo de nós
sem garantia de retorno.

Abrir a porta
sem saber quem entrará.

Estender a mão
sem saber se ela será segurada.

Ainda assim, estendê-la.

Porque existem riscos que nos machucam.

E existem riscos que nos transformam.

Amar é escolher o segundo.

Não sabemos o resultado.

Não temos certeza de quem ficará.

Mas, enquanto houver alguém precisando de uma mão,
uma palavra,
um abraço
ou simplesmente de alguém que permaneça,

talvez valha a pena apostar.

Comentários

Postagens mais visitadas