Inequação do amor
Há coisas que a matemática não consegue resolver.
Podemos somar os momentos felizes,
contar os dias ao lado de alguém,
multiplicar os pequenos gestos
e ainda assim não encontrar um resultado exato.
Porque o amor não obedece às regras que aprendemos.
Às vezes ele soma duas pessoas
e, pela primeira vez, faz com que nenhuma delas se sinta incompleta.
Às vezes subtrai.
Leva alguém embora
e deixa no lugar uma saudade que não cabe em nenhuma fórmula.
Também existem as divisões.
Aquilo que antes era compartilhado
passa a ser carregado sozinho.
Metade de uma conversa.
Metade de um abraço.
Metade de uma história
que nunca chegou ao fim.
E então existe a multiplicação.
Um simples olhar que se transforma em expectativa.
Uma mensagem que muda o rumo de uma noite.
Um instante que, dentro do coração,
cresce muito além do que realmente aconteceu.
Talvez seja por isso que eu chame de inequação.
Porque não existe igualdade quando se trata de sentir.
Um ama mais.
Outro ama em silêncio.
Um espera.
Outro sequer sabe que está sendo esperado.
E entre tudo aquilo que queremos
e tudo aquilo que realmente podemos ter,
existe uma distância que nenhuma fórmula consegue eliminar.
O amor possui suas próprias incógnitas.
Não sabemos quando começa.
Não sabemos quanto vai durar.
Não sabemos quem permanecerá
e quem se tornará apenas uma lembrança.
Passamos a vida tentando encontrar respostas
para coisas que talvez não tenham solução.
Até perceber que talvez o amor nunca tenha sido uma equação
para resolver.
Talvez seja uma inequação justamente porque
nem tudo precisa ser igual para ser verdadeiro.
E talvez, no fim,
a única resposta possível
seja aquela que não cabe nos números:
amar, mesmo sem saber o resultado.
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